IMPACTOS AMBIENTAIS EM ECOSSISTEMAS BRASILEIROS

Por Prof. Décio

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IMPACTOS AMBIENTAIS EM ECOSSISTEMAS BRASILEIROS

 

                    A natureza no Brasil tem sido agredida desde o início da colonização, sendo a faixa litorânea onde encontramos a Mata Atlântica a primeira a ser atingida, tendo 90% de sua área original derrubada devido a ocupação no período colonial por causa da fundação de cidades, o desenvolvimento de atividades agropecuária e posteriormente a instalação do parque industrial brasileiro.

                    Os mangues e a vegetação litorânea (restingas) também foram muito afetadas pela ocupação humana, principalmente devido a construção de portos, casa de veraneios, hotéis e resorts, a exploração turísticas, a extração de sal e a pesca predatória que completaram o estrago em ecossistemas litorâneos.

                    À medida que a ocupação do território nacional se expandiu para o interior, outros ecossistemas tiveram seu equilíbrio ecológico rompido pelas atividades que ali se desenvolveram com o ciclo do ouro através da mineração em Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e a criação de gado no sertão nordestino atingindo a Caatinga, na Região Sul os Campos ou Pradarias e mais tarde na Região Centro-Oeste do país o Cerrado e a Vegetação Complexa do Pantanal.

                    Na década de 1960 até os dias de hoje, com a construção de Brasília, de rodovias e de usinas hidrelétricas, bem como, a implantação de projetos agropecuários e de mineração causou fortes impactos ambientais nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.

                    Com a aceleração da urbanização nas últimas décadas, uma nova forma de impacto ambiental tem aumentado no Brasil: trata-se dos impactos causados em ambientes urbanos.

 IMPACTOS AMBIENTAIS NA AMAZÔNIA

 

 

            Embora o ecossistema amazônico tenha sido menos atingido que outros ecossistemas brasileiros no início da colonização, seu processo de destruição vem se acelerando rapidamente nas últimas décadas. Atualmente, o desmatamento é o principal responsável pelos impactos ambientais da Floresta Amazônia, onde temos a exploração predatória de madeiras, as queimadas que preparam os terrenos para os grandes projetos agropecuários (soja e criação de gado), a construção de usinas hidrelétricas, rodovias e ferrovias, o extrativismo mineral e o crescimento demográfico.

 

           

            As atividades agropecuária e madeireira, realizadas principalmente nos últimos trinta anos, são responsáveis por grande parte dos desmatamentos ocorridos nessas florestas. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), já foram devastados cerca de 550 mil quilômetros quadrados da floresta amazônica brasileira, o que equivale a 13,7% da mata. As queimadas fazem parte do processo de transformação das florestas em roças e pastagens. O fogo é o instrumento utilizado pelos fazendeiros para limpar o terreno e prepará-lo para a atividade agropecuária ou para controlar o desenvolvimento de plantas invasoras. Na maior parte dos casos, elas são realizadas no final da estação seca, quando é obtido o maior volume de cinzas e quando a vegetação está mais vulnerável ao fogo.

 

           

            Apesar de barato, esse processo traz inúmeros impactos ambientais, principalmente ao fugir do controle, atingindo áreas que não se desejava queimar. Num primeiro momento, as queimadas podem funcionar como fertilizantes do solo, uma vez que as cinzas produzidas são convertidas em nutrientes vegetais pelos microorganismos da terra. No entanto, a queima sucessiva de uma mesma região pode matar esses mesmos microorganismos, tornando o solo cada vez mais empobrecido e impróprio para a agricultura.

 

Esse procedimento traz ainda conseqüências no clima e no ciclo das águas. Os pastos e as lavouras absorvem menos energia solar do que a vegetação original e podem contribuir para uma redução de chuvas e um aumento na temperatura da região Amazônica. As queimadas são ainda responsáveis pela emissão significativa de gases que causam o efeito estufa, como o gás carbônico (CO2). Por outro lado, as plantas retiram esse gás da atmosfera, utilizando-o para seu crescimento. O problema é que, atualmente, as queimadas produzem muito mais gás carbônico do que as plantas podem absorver.

 

 

Além de todos os impactos e agressões ao ambiente causados pelas atividades ligadas à agropecuária e à exploração madeireira, o extrativismo mineral também representa uma fonte de degradação ambiental. Atualmente, na Amazônia, existem cerca de 20 regiões de alta concentração de garimpos de ouro. São famosas as histórias do Projeto Carajás e do Projeto Jari nas décadas de 70 e 80.

 

            A Amazônia possui ainda uma série de riquezas minerais mal exploradas economicamente. Metais como ferro, zinco, alumínio, nióbio e ouro estão presentes no subsolo amazônico em quantidades variáveis. A maior mina de nióbio do planeta está em São Gabriel da Cachoeira, estado do Amazonas. Em Nova Olinda, também no Amazonas, há uma reserva de Cloreto de Potássio (KCl, importante fertilizante de solos) estimada em 340 milhões de toneladas. Cabe salientar que os custos que o Brasil tem com a importação de fertilizantes agrícolas só são superados pelos custos de compra de petróleo.

            Porém, é no garimpo de ouro aluvial na Amazônia que toda a sorte de conflitos econômicos e sociais se manifestam. O Brasil não possui uma política mineral explícita, sendo a exploração do ouro organizada regionalmente, pelas populações locais, movidas por aspirações de ascensão e fuga da eterna exclusão social. Freqüentemente os garimpos funcionam com infra-estrutura precária, agredindo o ambiente e liberando grandes quantidades de mercúrio nos rios, no ar e no solo. O mercúrio é usado como auxílio na purificação do ouro, pelo processo conhecido como "amalgamação". Este metal adere ao ouro metálico formando o amálgama. Posteriormente, o amálgama é aquecido e o mercúrio é vaporizado, restando o ouro puro.

 

 

    Esta forma de garimpo de ouro é extremamente poluidora, uma vez que o mercúrio se acumula no ambiente sob diversas formas. O metilmercúrio acumula-se facilmente em peixes e outros animais silvestres. No homem é absorvido por via digestiva, provocando uma intoxicação crônica com complicações renais e nervosas. O mercúrio metálico é absorvido por via respiratória quando vaporiza-se, na purificação do ouro.

 Alguns estados da região norte tiveram grande crescimento populacional em virtude das migrações internas, implicando maior produção de alimentos, que por sua vez aumenta a área agrícola e desmata a vegetação original. Também o aumento do crescimento populacional levou a implantação de infraestrutura como a construção de rodovias como a Belém-Brasília, a Cuiabá-Santarém e a malograda Transamazônica que juntamente com as construção de ferrovias como a Carajás/PA-Porto de Itaqui/MA custaram muitos quilômetros quadrados de cobertura vegetal.

Finalizando, temos ainda, a construção de usinas hidrelétricas que demandam a inundação de grandes áreas florestais e o impacto cultural e sócio-econômico sobre os povos indígenas e sobre a flora e a fauna.

 

IMPACTOS AMBIENTAIS NO CERRADO

 

    Atingido pela construção de Brasília e a implantação de toda infra-estrutura necessária que passaram a integrar a nova capital ao resto do país, o cerrado também tem sido rapidamente degradado por causa do crescimento da agropecuária, perdendo cerca de 80% da sua vegetação original, comprometendo uma das maiores reservas de água doce do mundo. A pecuária e o cultivo de soja causaram profundos impactos ambientais, como assoreamento do leito dos rios, a poluição do solo e de nascentes de rios das bacias do Amazonas e do São Francisco por agrotóxicos e a destruição de grandes áreas de vegetação original em razão do aumento do número de rodovias, carvoarias e crescimento populacional.

 

IMPACTOS AMBIENTAIS NA MATA ATLÂNTICA

 A maior biodiversidade brasileira é encontrada nos ecossistemas que compõem a Mata Atlântica, que já foi muito devastada pelas diversas formas de ocupação a que foi submetida, desde a extração do pau-brasil no período da colonização até o vertiginoso crescimento urbano-industrial das últimas décadas, resultando na destruição de cerca de 93% da área de floresta que cobria do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.

        As cidades, as indústrias e a necessidade de terras para o cultivo de cana de açúcar, cacau e café causaram a derrubada da mata original, gerando também a poluição das águas fluviais e subterrâneas, contaminação e erosão do solo e a poluição do ar atmosférico.

        Suas maiores áreas preservadas estão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, nas serras do Mar e da Mantiqueira, em virtude do relevo acidentado o que dificulta a ocupação urbana.

 

    IMPACTOS AMBIENTAIS NA CAATINGA

Outro grave problema ambiental é o processo de desertificação de grandes áreas da caatinga, provocado pelo desmatamento da vegetação nativa, pela ocupação urbana, agropecuária, carvoarias e degradação do solo. A ocupação do sertão nordestino começou com o ciclo do gado, por ter na pecuária sua atividade econômica complementar, a grande riqueza da época da colonização , a cana de açúcar.

 A maior parte da caatinga já desapareceu diante das profundas alterações causadas pelo homem, onde além da pecuária extensiva que levou ao povoamento do sertão nordestino uma das principais causas da devastação do ecossistema, os grandes latifundiários do nordeste colaboraram por essas degradações, pois além de desmatar a vegetação original, monopolizam o uso dos açudes provocando o seu assoreamento, bem como, usam as águas do Rio São Francisco para irrigação, levando a salinização do solo.

IMPACTOS AMBIENTAIS NOS CAMPOS

    As atividades agropecuárias são as grandes responsáveis pela degradação dos campos brasileiros, que abrangem áreas principalmente do Rio Grande do Sul. A criação de gado deteriora o solo e seu uso prolongado causa a erosão e a arenização. O uso excessivo, prolongado e inadequado do solo pela agricultura, provoca o seu empobrecimento, dificultando o surgimento de uma nova vegetação, abrindo caminho para o processo denominado de arenização, que é intensa mobilidade dos sedimentos causado pela ação das águas e do vento.

    Arenização e desertificação são processos distintos, uma vez que o primeiro ocorre em áreas de clima não árido e o segundo somente em regiões de climas áridos, semi-áridos ou semi-úmidos.

IMPACTOS AMBIENTAIS LITORÂNEOS

 Também os manguezais e as restingas encontram-se entre os ecossistemas mais degradados do país, pois sua localização é decisiva para explicar essa devastação, isto é, abrangem a faixa costeira do Brasil, a mais populosa. Ações humanas combinadas como a expansão desordenada, o derramamento de petróleo em refinarias e terminais de embarque e desembarque da Petrobrás, pólos petroquímicos, lançamento de esgotos e movimentos de portos, juntamente com a pesca predatória, ocupação irregular do solo, crescimento da atividade turística, industriais e a todos os tipos de poluição associados a estas atividades agravam os impactos ambientais neste ecossistema.

 

POLÍTICA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL

 

    A preservação do meio ambiente no Brasil, em virtude da importância de seus ecossistemas, não diz respeito apenas aos nossos governantes, mas é de responsabilidade mundial. O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) e o Ministério do Meio Ambiente são os órgãos oficiais encarregados da preservação dos biomas e ecossistemas brasileiros. Apoiado na Constituição Federal, dividiu-se o Brasil em unidades de conservação que são espaços territoriais e seus recursos naturais, incluindo as jurisdicionais, com características naturais relevantes, com objetivos de conservação e limites definidos.

    Segundo essas possibilidades de exploração, essas unidades foram classificadas em:

Unidades de Uso Sustentável - áreas que procuram conciliar a preservação da diversidade biológica e dos recursos naturais com o uso sustentado desse recursos, sendo permitido realizar alterações que preservem a sobrevivência das comunidades animais e vegetais;

Áreas de Proteção Integral - áreas que tem como objetivo maior a preservação da biodiversidade, onde a intervenção humana deve ser a menor possível.

 

 

 


 

É importante ressaltar que este resumo é apenas para aprofundamento dos estudos, não substituindo os textos do livro didático, nem as explicações e anotações em sala de aula. Leia, anote as dúvidas e leve para a sala de aula para maior entendimento da matéria. Bons estudos.

Prof. Décio - Geografia